ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO COM POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA DE PACIENTES DO CAPS-ad: UM VÍNCULO POSSÍVEL
DOI:
10.24281/rremecs.2018.09.15.saspnufu1.30Palavras-chave:
Redução de Danos, Acompanhamento Terapêutico, CAPS-adResumo
O Acompanhamento Terapêutico (AT) surge como uma prática terapêutica na área da saúde mental após os movimentos contra as atuações violentas e opressivas dos profissionais nas instituições, conhecido como luta antimanicomial, durante a década de 50 pela Europa, e 60 na América Latina. Além de uma proposta de transcender os muros da clínica, essa modalidade tem como efeito uma atuação direta no ambiente do acompanhado e consequentemente nas pessoas com quem se vincula. Uma das propostas do AT, também vinda da Europa para o acompanhamento de pessoas dependentes de álcool e outras drogas, é a Redução de Danos (RD) que chegou a meados de 1989 em Santos com a troca de seringas, a conscientizações contra doenças transmissíveis e o uso abusivo de substâncias. Essa proposta ainda muito utilizada visa à humanização dos pacientes em situação de vulnerabilidade, promovendo o autocuidado e busca de condições dignas de vida, se tornando assim, uma intervenção possível com pessoas que tem seus direitos negados: sem casa, sem família e dependentes químicos. Vínculos que se tornam possíveis muitas vezes diante de uma necessidade de ir fazer documentos pessoais ou buscar direitos básicos (como benefício, aposentadoria, etc.), passam por desafios como o medo do abandono ou o surgimento de uma dependência afetiva, mas que no fim são capazes de promover mudanças psicológicas e sociais, além de promover novas formas de pensar e agir em relação ao mundo em que vive. Metodologia: Esse estudo de caso teve como fontes de dados diários de bordo e relatos de supervisão de um acompanhante terapêutico atuante junto a pacientes do CAPS-ad em situação de vulnerabilidade psicossocial e violação de direitos, moradores de rua e dependentes da instituição como única rede de apoio. A análise dos dados foi realizada a partir da perspectiva fenomenológica existencial. Encontrando o sujeito no território em que habita, o acompanhante terapêutico é atravessado pela realidade material e simbólica do contexto. Nesse sentido, o acompanhamento terapêutico simultaneamente gera compreensões que vão além da palavra do acompanhado e cria possibilidades interventivas que também não se limitam apenas ao sujeito, alcançando a família, os espaços de trabalho e acesso a serviços públicos, Assim, a promoção de saúde se faz na viabilização do acesso ao cuidado e à inserção social junto a populações que se encontram impossibilitadas, em diferentes aspectos, de pertencimento social. A configuração do cuidado nas relações cotidianas atua como facilitadora na construção da autonomia, desde uma busca por emprego ou a um acesso a uma consulta médica, mediando relações junto a espaços e dispositivos sociais e criando uma rede de apoio psicossocial. Observa-se no Acompanhamento Terapêutico no contexto estudado uma articulação entre promoção da saúde e promoção da cidadania, fortalecendo a noção de direitos e possibilitando acesso a dispositivos que ajudam no processo de desconstrução das barreiras sociais responsáveis pela exclusão e a vulnerabilidade social.
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